Empresas que investem em profissionais especializados da área de Logística e Suprimentos conseguem melhorar sua produtividade

O Brasil passou, recentemente, por uma fase de estabilidade econômica. Segundo um estudo realizado pelo instituto The Boston Consulting Group (BCG), esse progresso ocorreu em virtude do aumento de empregos, que por sua vez resultou no aceleramento do consumo interno e por consequência, o país superou – na última década- a marca de 10 mil dólares de PIB per capita e se tornou a sexta maior economia mundial. Mas em contrapartida, a análise também aponta que mesmo com o aumento expressivo de empregados no Brasil (74% de crescimento), apenas 26% em desses ganhos foram atribuídos a produtividade empresarial. Dessa maneira, o aumento da produtividade continua sendo um desafio para muitas empresas, sobretudo quando abordada sobre a ótica de suprimentos.

Segundo o coordenador da área de Logística do Instituto de Educação Tecnológica (IETEC), Roberts Reis, a produtividade é um desafio que deve ser continuamente encarado pelos empresários brasileiros. O especialista concorda com os estudos da BCG e aponta outros problemas que influenciam o setor, “a indefinição dos processos e padrões, equipamentos inadequados, profissionais desqualificados e sem treinamento também devem ser considerados”, comenta o coordenador.

Nessas condições, o coordenador conta que é necessário que as corporações possuam essa preocupação e realizem mudanças de aplicação interna. Se tratando da produtividade da seção de suprimentos, os estudos da BCG afirmam que o aumento da produtividade por ser realizado através da gestão do valor de produtos e ou serviços. Segundo a pesquisa, as organizações devem buscar inovar nos produtos e modifica-los a fim de diminuir custos, também devem repensar o posicionamento da marca, assim como, redefinir a produção interna, alinhando com os serviços terceirizados. Atingindo esses aspectos, as empresas poderão aumentar o retorno sobre investimentos realizados.

Além disso, para muitas corporações brasileiras, tornar-se mais produtivo não garante o sucesso da competitividade de mercado, visto que essa exige ser parte de uma cadeia de valor eficiente. Segundo dados da BCG, empresas que lideram essa cadeia possuem um ecossistema eficaz, onde essas selecionam e possuem os melhores parceiros, assim como, investem em companhias menores. Ainda, o investimento em infraestrutura adequada, principalmente em tecnologia, potencializa o segmento.

Segundo Reis, após esse reconhecimento será possível aplicar os devidos recursos para que a produtividade atinja os valores estimados, onde enfim, a organização poderá sentir as modificações. Ele conclui, “as empresas consideradas produtivas possuem planejamento, definem prazos, conseguindo assim atender seus clientes no tempo estabelecido, na quantidade certa e, principalmente, com o menor custo”, destaca o coordenador.

Gestão de talentos também tem influência direta na produtividade

Segundo Reis, uma organização produtiva é aquela que consegue ser eficiente quanto à utilização de seus recursos, mas que, além disso, possua profissionais capacitados, envolvidos com o setor de logística e suprimentos. A BCG considera em seu estudo que no Brasil há uma escassez de talentos nesse mercado, por isso, contratar os melhores profissionais é fator determinante para o sucesso empresarial.

O analista industrial da Fiat em Betim, William Ferreira de Souza Baptista, pode ser citado como um exemplo. Ele, que é formado em Administração e Engenharia de Produção, hoje está cursando a pós-graduação de Engenharia de Logística do IETEC com o intuito de se tornar um profissional diferenciado na área. “Hoje, não temos na Fiat muitas pessoas especializadas nesse setor, foi então que percebi que essa capacitação poderia ser um diferencial na minha carreira”, revela.

Baptista conta que aplica diariamente os conhecimentos adquiridos dentro do setor em que atua. Ele foi um dos responsáveis pela a implantação do sistema de Milk Run – um planejamento de logística onde, a cada dia, são realizadas coletas de componentes de cada fornecedor em quantidades determinadas com objetivo de entregar ao fabricante – na Fiat e que trouxe grandes benefícios para a companhia. “Com essa nova técnica tivemos retornos positivos relacionados a custos e a competitividade. Conseguimos a redução do número de veículos em circulação dentro da fábrica e o melhor aproveitamento da mão de obra no recebimento, controle e acompanhamento das coletas nos fornecedores até a chegada na empresa”, atesta Baptista.

Já Sérgio Néri de Almeida, engenheiro de planejamento e manutenção da Vale, também conseguiu aumentar a produtividade da empresa em que trabalha, após cursar a pós de Engenharia de Suprimentos ofertada pelo Instituto. “Um case de sucesso em que participei e trouxe benefícios para a Vale foi o processo de redução de estoque MRO (peças para manutenção, reparos e operações), a partir da aplicação do conhecimento técnico das áreas operacionais e de suprimentos. Conseguimos atingir o nosso objetivo que era uma redução criteriosa de estoque, com mínimo impacto na disponibilidade”, conta Almeida.

Além disso, Almeida revela a importância dos profissionais de suprimentos dentro das organizações, pois “o engenheiro de suprimentos possui condições de entender os elos da cadeia logística e é capaz de estabelecer cenários, projeções e simulações de oportunidades para a empresa”, afirma Sérgio.

Já Baptista acredita na expansão do mercado de atuação de profissionais de logística. “O engenheiro de logística é um profissional que está entrando agora nas empresas. A cada dia está ficando mais claro que a logística não é somente uma área que gera custos e sim um setor onde, através de planejamentos, conseguimos aumentar a produtividade a fim de continuarmos competitivos no mercado”, conclui o profissional da Fiat.

Autor: Harley Pinto