A falta de planejamento na formulação de escopos, prazos e custos é um dos agravantes do problema

A Copa do Mundo de 2014 já está próxima e o que mais se vê é o atraso nas obras públicas. E o evento não é um único exemplo. Diariamente, projetos são demolidos e refeitos, há estádios que ainda necessitam de ajustes, além de obras em vias públicas e nos aeroportos que estão longe do término. A entrega do BRT já foi adiada inúmeras vezes. Em geral, a falta de planejamento e a ausência da boa gestão de projetos são determinantes nesse aspecto. Todos esses problemas poderiam ser evitados se as corporações envolvidas nesses planos adotassem corretamente as Melhores Práticas de Gestão de Projetos.

Quem explica é o coordenador técnico da área no IETEC, João Carlos Boyadjian. “Quanto maior o número de envolvidos em um empreendimento, maiores são as chances de erro. Por isso, a integração e coordenação de um gerente de projetos são imprescindíveis para seu sucesso. E isso falta, muitas vezes, em nossos projetos”, analisa. Boyadjian e outros dois convidados abordarão a importância de planejar e controlar projetos durante o 16º Seminário Nacional de Gestão de Projetos, que ocorre em Belo Horizonte nos dias 16 e 17 de julho.

Um destes especialistas é o também professor do IETEC, Fred Jordan, profissional com mais de 20 anos de experiência no gerenciamento de projetos. Para ele, dois dos temas mais importantes no tocante ao planejamento de projetos diz respeito à gestão de conflitos e negociação e na administração de mudanças. “Cada vez que se faz um projeto, se trabalha com pessoas com quem nunca – ou quase nunca – se teve relações profissionais. Para engajá-las nos objetivos propostos, é necessário definir a participação de cada membro, com base na sua expertise”, diz.

Um dos exemplos da ausência da Gestão de Projetos é o atraso das obras do Sistema de Transporte Rápido por Ônibus (BRT, na sigla em inglês) na cidade de Belo Horizonte. As obras que já deveriam estar em fase final, tiveram recentemente prazo estendido até dezembro de 2013 e a desconfiança é que esse tempo ainda não seja suficiente. A falta de planejamento desses projetos já levou a demolição de um protótipo da Estação BRT na Avenida Cristiano Machado, em BH. Ivo Michalick, também coordenador técnico de Gestão de Projetos do IETEC, esclarece o porquê desses problemas: “O escopo foi mal definido no início do projeto, resultando muitas vezes num entendimento simplificado e errado por parte dos fornecedores sobre o que constitui o projeto”, analisa.

O desperdício de materiais é outro grande problema. No caso do BRT, com a demolição e reconstrução dos circuitos, com certeza houve novos gastos com materiais que antes não estavam previstas no primeiro plano das obras. Para Michalick, custos adicionais podem inviabilizar a obra. “Há aumento de custos, e isto alimentou uma verdadeira ‘indústria do pleito’, onde clientes e fornecedores ficam discutindo quem deve arcar com o aumento da conta, enquanto muitas vezes a obra fica parada”. Segundo ele, este cenário é extremamente danoso para as organizações executoras. Nessa perspectiva, o projeto bem formulado e gerido é essencial para estabelecer os valores que o projeto consumirá.

Ao analisar todos os déficits que o Brasil está passando devido à má gestão de projetos das obras públicas para a Copa, Boyadjian aponta a importância da área de GP, já que ela se preocupa com questões como o controle de escopo, prazo, custos, gestão de riscos, critérios de qualidade, entre outros. “Um gerenciamento de projetos eficaz vem se tornando cada vez mais uma vantagem competitiva, permitindo às organizações que o possuem rápida reação a mudanças de mercado e cenário de negócios. Trata-se de um fator crítico de sucesso indiscutível”, enfatiza, complementando que dar continuidade à gestão durante a execução das obras também é muito importante. “O acompanhamento freqüente possibilita que erros possam ser minimizados, não impactando o projeto em sua etapa final. Para isso, é essencial a contratação de bons GPs que devem conter habilidades como, atenção para o detalhe, conhecimento das boas práticas de gestão de custos e domínio das principais ferramentas do mercado”, conclui.

16º Seminário Nacional de Gestão de Projetos

“Planejamento e controle em engenharia e montagem” será um dos temas tratados ao longo do 16º Seminário Nacional de Gestão de Projetos, com a presença do professor João Carlos Boyadjian, Fred Jordan e do gerente de controle financeiro de projetos da Samarco, Carlos Henrique Ribeiro.

“Tendências em Gestão de Projetos: Pessoas, Tecnologias e Métodos” será o tema central do 16º Seminário Nacional de Gestão de Projetos realizado pelo IETEC, nos dias 16 e 17 de julho, no Centro de Convenções do Hotel Mercure Lourdes (Av. do Contorno 7315, Lourdes, Belo Horizonte). Para mais informações, acesse www.ieteconline.com.br.