Índice da indústria apurou avanço de 5,6 pontos entre agosto e julho, o melhor nos últimos dois anos.

 

A crença em uma melhora no cenário econômico e, consequentemente, na retomada do crescimento do País aumenta cada vez mais entre os construtores mineiros. Em agosto, pelo quarto mês seguido, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) registrou alta e fechou em 44,9 pontos. O avanço frente a julho foi de 5,6 pontos e, apesar de o indicador ainda se encontrar em um nível de insegurança, já é o melhor dos últimos dois anos.

Considerando os incrementos observados em julho e agosto, o Iceicon-MG registrou um aumento acumulado de 11,2 pontos apenas em dois meses. De acordo com a economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Érika Amaral, a possibilidade de mudança no cenário econômico criada em maio com o afastamento da então presidente Dilma Rousseff interferiu diretamente na confiança dos empresários da construção no curto prazo.

A aproximação do índice ao patamar de confiança – acima da linha dos 50 pontos – só foi possível pelo incremento observado nos indicadores secundários que o compõem: Condições Atuais de Negócios e Expectativas. Em agosto, a propósito, as expectativas dos construtores para os próximos seis meses atingiram, pela primeira vez desde abril de 2014, o nível de otimismo: 50,1 pontos. As perspectivas foram melhores tanto em relação à economia brasileira (49,3 pontos), quanto à estadual (45,6 pontos) e aos resultados da própria empresa (51,4 pontos).

Já as condições atuais de negócios, apesar da elevação do índice em 5,9 pontos frente a julho, ainda apontam pessimismo por parte do setor. No oitavo mês do ano, o indicador ficou em 34,4 pontos, com a baixa confiança identificada em todos os níveis: Brasil (35,0 pontos), Estado (31,2 pontos) e empresa (35,1 pontos).

Érika Amaral avalia que a evolução na percepção dos empresários mineiros acompanha a tendência de arrefecimento de queda identificada na indústria. “Os indicadores da indústria continuam caindo, mas em um ritmo menor do que anteriormente. Se você pegar um índice de janeiro e comparar com o do mesmo mês no ano passado, você vai ver uma queda significativa, mas se analisar o intervalo de janeiro a julho contra o mesmo período do ano passado, vai ver que a retração é menor, ou seja, continua caindo, mas em menor intensidade”, explica.

Atividade – A Sondagem Industrial do setor, também divulgada ontem pela Fiemg, aponta que o nível de atividade da construção apresentou ligeira melhora em julho: 38,1 pontos. Como ainda está abaixo dos 50 pontos, o indicador ainda mostra recuo na produção. Na análise por portes, as grandes empresas, com 34,2 pontos, foram as que apresentaram a maior retração.

O fraco desempenho na atividade da indústria da construção teve impacto direto sobre o nível de emprego. No mesmo período, o indicador fechou em 37,9 pontos, sinalizando queda no número de postos de trabalho. Para alívio do setor, nos últimos três meses, no entanto, o recuo tem sido menos intenso. A pontuação de julho, por exemplo, é a maior registrada desde outubro de 2014 (43,0 pontos).

A redução da demanda por parte do setor público, que diminuiu consideravelmente os investimentos em função da crise econômica, tem sido uma das principais causas para as dificuldades que vêm sendo enfrentadas pelos construtores. “Fizemos uma pesquisa com a indústria da construção pesada, e a gente viu que em torno de 60% do faturamento desse segmento vem do setor público. Por isso ele é um dos mais atingidos com a crise.

Mas isso não acontece só com a indústria pesada, mas também com a leve, já que o seu consumidor muitas vezes utiliza financiamento de bancos públicos para adquirir um imóvel, e os recursos diminuíram muito nos últimos anos”, diz a economista da Fiemg.

As expectativas dos empresários – medidas com base no mês de agosto – quanto à produção para os próximos seis meses seguem negativas (40,0 pontos), o mesmo ocorrendo para o nível de emprego, que no oitavo mês ficou em 34,9 pontos, após cair 3,4 pontos frente a julho.

A intenção de apostar em novos empreendimentos sofreu o segundo recuo consecutivo e encerrou agosto com 36,1 pontos. O desânimo foi confirmado também pelo indicador de expectativas de investimentos (23,4 pontos), outro a apresentar retração frente ao mês anterior, ficando abaixo da média histórica (31,6 pontos) pelo 19º mês consecutivo.

 

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